sexta-feira, 11 de maio de 2018

Poema periférico para a Farmácia



Poema periférico para a Farmácia

Não é comum este nosso lugar-comum
De espaço no balcão ponto de encontro
Onde se recebe apenas só o que se dá.
Às vezes entram cheiros de roupa lavada
De pedras, sabão e vozes de mulheres
Na ribeira que um dia por aqui passou.
Sabemos o princípio activo das lágrimas
E o excipiente da moderna amargura
Temos literatura explicativa das dores.
Só vendemos tudo com receita médica
E mantemos fora do alcance das crianças
No comércio onde há algo mais que troca.
A transacção foi concluída com angústia
Fica um espaço de tristeza no balcão
Entre o «adeus» e o final «bem-haja!».

José do Carmo Francisco    

(Fotografia de Autor Desconhecido)

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