terça-feira, 16 de junho de 2026
Canção breve nº 2 para Manuel Monteiro
segunda-feira, 30 de março de 2026
Canção breve da despedida
quinta-feira, 25 de setembro de 2025
Lamentação e pranto de Jill McBain em Sweetwater
Lamentação e pranto de Jill McBain em Sweetwater
José do Carmo Francisco
(Fotografia de autor
desconhecido)
sábado, 31 de maio de 2025
Canção trigésima sétima para Ana Isabel
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
Musa em castanho claro
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
Musa em canção nocturna
domingo, 22 de dezembro de 2024
Musa em café de subúrbio
quarta-feira, 18 de dezembro de 2024
Mulher em azul e branco
terça-feira, 10 de dezembro de 2024
Musa em azul celeste
sexta-feira, 29 de novembro de 2024
Musa em almoço com Helena e Zé Lopes
segunda-feira, 18 de novembro de 2024
Musa à porta da Escola
domingo, 10 de novembro de 2024
Musa a ouvir Verdes Anos
terça-feira, 25 de junho de 2024
Novo poema nº 47 para Ana Isabel
Novo poema nº 47 para Ana Isabel
Há nos
algarismos desta idade um misto da infância que não se despede dos nove e da
maturidade dos quarenta; é uma mulher-menina
a olhar o Mundo no Outono de 2021.
Sobe um
rumor de alegria dos pratos da Balança que simboliza toda a ternura, todo o
sereno equilíbrio e todo o generoso estoicismo do signo que perdura e nunca se
despede.
Porque
primeiro chegou num sonho mas o seu tempo cola-se à verdade do quotidiano do
calendário na parede seja num talho seja numa oficina de automóveis; qualquer
lugar é sempre tempo de Balança.
José do
Carmo Francisco
(Óleo de Aron Wiesenfeld)
quinta-feira, 23 de maio de 2024
Novo poema nº 46 para Ana Isabel
Novo poema nº 46 para Ana Isabel
O som de
fundo é uma música a metro, canções
já batidas ao longo de verões passadas e que hoje são apenas resultado de uma varinha mágica que tudo coloca na mesma
bitola; é música para ouvir nos elevadores dos prédios modernos.
Ninguém
repara no batuque vazio de música com melodia, há apenas ritmo e nada mais,
todos aqui procuram o usufruto da cerveja gelada, do ginger ale com limão, do copo de vinho branco muito fresco.
Porque até a brisa que se levanta do mar incita a não fazer nada, para além de ouvir o telemóvel que por acaso aqui nesta praia não tem propagação em todas as redes.
José do
Carmo Francisco
(Óleo de Claude Monet)
quarta-feira, 22 de novembro de 2023
Novo poema nº 40 para Ana Isabel
Novo poema nº 40 para Ana Isabel
Há sonhos
que se perdem dentro das ruas escuras e no barulho do mar; talvez sejam mesmo
pesadelos porque trazem no seu bojo uma angústia pesada.
A cidade tem
a dimensão da narrativa, desenha-se como uma novela com as suas figuras, os
seus interesses e as suas expectativas.
Porque tudo
se revela quando o vento empurra a neblina para dentro do mar e os telhados
começam a brilhar com o sol que se demora e faz daquela superfície uma espécie
de espelho.
José do Carmo Francisco
(Fotografia de Luís Eme - Sesimbra)
segunda-feira, 18 de setembro de 2023
Novo poema nº 37 para Ana Isabel
Novo poema nº 37 para Ana Isabel
Há uma
sombra entre a joeira e o corpo de quem a trabalha para fazer subir a palha e o
feijão à procura do sopro de brisa capaz de separar o que o malho na eira não
conseguiu.
Este mágico
ritual que se repetiu de geração em geração, corre o risco de, em pouco tempo,
não ter continuidade nem na família, nem na aldeia, nem no Mundo.
Porque são outros os caminhos e os processos, os tempos e as expectativas; tal como o trigo cujos silos são hoje ninhos de microempresas, o feijão chega em latas às prateleiras dos supermercados.
José do
Carmo Francisco
(Óleo de Antal Neogrady)
quarta-feira, 23 de agosto de 2023
Novo poema nº 36 para Ana Isabel
Novo poema nº 36 para Ana
Isabel
Um dia, na Associação
Portuguesa de Escritores, Óscar Lopes ouviu uma jovem autora falar dum get together com escritores estrangeiros
em visita a Portugal. Poderia e deveria ter dito encontro ou convívio.
Hoje li numa lavandaria a
palavra insólita DORR em vez de DOOR num dos modernaços cartazes bilingues com
instruções aos clientes da loja. E mesmo que exista não faz sentido aqui.
Porque se trata de um outro
nível; já não o uso indevido de uma expressão inglesa mas o erro crasso de
palavra que presumo não existir e não tem razão para integrar o bilingue
cartaz.
(Fotografia de Luís Eme)
segunda-feira, 19 de junho de 2023
Novo poema nº 34 para Ana Isabel
Novo poema nº 34 para Ana Isabel
«Há mais
caixas! Há mais caixas!» repetia o azedo marido da mulher com evidentes
dificuldades cognitivas e de locomoção frente à operadora de caixa na bicha das
compras da grande superfície.
Ainda bem
para todos estava atrás do casal azedo uma senhora míope que não levava à
prática as normas de distanciamento do Ministério da Saúde mas a ela a mulher azeda
e o marido nada diziam.
Porque
minutos depois o incidente estava esquecido, depois do verde, código, verde do pagamento por cartão multibanco; só o cocó
do cão no passeio em frente lembrava o valor da vida do casal.
José do Carmo Francisco
(Fotografia de Luís Eme)
terça-feira, 16 de maio de 2023
Novo poema nº 32 para Ana Isabel
Segundo
Walter Benjamin, autor citado num livro de Carlos Lobão, «uma das principais
responsabilidades do Homem é revelar o esquecido».
Além de tudo
o mais, um poema é também um esforço para mostrar o passado e adivinhar no
futuro um ou vários caminhos, entre o possível e o provável.
Porque os
calceteiros lisboetas de Cesário Verde ou os pescadores poveiros de António
Nobre perderam o nome nas emboscadas do esquecimento mas permanecem nos poemas
até hoje.
José do Carmo Francisco
(Fotografia de Stanley Kubrick)
domingo, 23 de abril de 2023
Novo poema nº 31 para Ana Isabel
Novo poema nº 31 para Ana Isabel
A selva do
anacoreta é o ponto mais radical da solidão e a juventude da mulher o lugar
ambicionado do encontro; de um lado a tristeza, do lado oposto a alegria, de um
lado o peso da escuridão, do lado oposto a força da luz.
São dois
caminhos, dois mundos, duas maneiras de ser no tempo e no espaço: o poeta
oscila o seu discurso entre o sofrimento e o júbilo porque parte do vazio mas
não desiste do amor.
Porque o
fascínio da vida está nessa tentativa, nesse esforço, nesse olhar que não
desiste da procura de uma outra luz por oposição ao diário cinzento do
quotidiano.
José do Carmo Francisco
(Fotografia de Luís Eme - Almada)
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