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quarta-feira, 10 de junho de 2026

Canção breve da cutelaria catarinense


Canção breve da cutelaria catarinense

Numa pequena oficina
Toca a roda o fim do dia
Acabou-se a obra fina
Da melhor cutelaria.
E vinha segunda-feira
A comprar o material
Esta ou outra maneira
O trabalho era o ideal.

José do Carmo Francisco

(Óleo de Isabel Codrington)

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Canção breve do Cais do Abraço

 

Canção breve do Cais do Abraço

Nota a nota, passo a passo
Se desenha a melodia
Fica no Cais do Abraço
A lágrima ao fim do dia.
É uma tão funda mágoa
Que não se vê numa lista
Não há limites na água
O vapor já não se avista.

José do Carmo Francisco

 

domingo, 7 de dezembro de 2025

Balada para os 50 anos da ADECO


 
Balada para os 50 anos da ADECO
  
Os anos já são cinquenta
É um especial aniversário
E aquilo que representa
Vem do olhar visionário.
A ADECO é uma Escola
Vai para além do ensino
O saber não pede esmola
Para marcar cada destino.
E lá na Rua da Palmeira
No centro desta cidade
Seja qual for a maneira
Nas salas há só amizade.
O recreio é outro Mundo
Entre as regras e os valores
O sentimento é profundo
Crianças vão ser senhores.
Num caminho da alegria
Ninguém se sente sozinho
Na memória em nostalgia
Vemos Victor e Zé Pinho.
A ADECO não vai parar
Esta marca é diferente
O seu é tempo de amar
Onde cabe toda a gente.
No Inventário e Balanço
Cinquenta anos de magia
A vida não dá descanso
Uma aventura por dia.
Seja a Orlanda ou a Dina
A sala nunca está vazia
Mesmo sendo pequenina
Permanece uma alegria.
No pátio das buganvílias
Com os pneus empurrados
Passam diversas famílias
Com óptimos resultados.
Sucessão de gerações
Na linha da nossa vida
Acumulam-se as razões
Para a festa repartida.
Para quem aqui viveu
Crianças são mais de mil
Tem um valor de Liceu
Sendo um Jardim Infantil.
 
José do Carmo Francisco
 
 (Óleo de Harold Harvey)

domingo, 21 de setembro de 2025

Canção breve para os meninos na Foz do Arelho


 
Canção breve para os meninos na Foz do Arelho
 
Sejam o Lucas e o Tomás
Sejam o Pedro e o António
Os quatro são gente capaz
De funcionar em harmónio.
Numas férias merecidas
Entre a Lagoa e o Mar
Quatro linhas quatro vidas
Sempre prontas a cantar.
 
José do Carmo Francisco
 
(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 16 de setembro de 2025

Canção breve para o Montijo em 1958


Canção breve para o Montijo em 1958
 
Pode ser o Manuel Gaibéu
Ou o Joaquim Caramelo
Nem esta infância é o céu
Nem a memória o castelo.
Vem um homem na carroça
A vender vinho de Pegões
Nesta rua que é só nossa
Já é tudo em garrafões.
 
José do Carmo Francisco
 
(Fotografia de autor desconhecido)
 

domingo, 7 de setembro de 2025

Balada da sardinheira da Abadia


 
Balada da sardinheira da Abadia
 
Manuel Ribeiro de Pavia
Do Alentejo profundo
Faz da Vieira de Leiria
O desenho do seu mundo.
Almocreves nas galeras
Com a pressa de chegar
Sem paragens ou esperas
Voltam as costas ao mar.
A mais bela sardinheira
Canastra não cabe mais
Saiu da Praia da Vieira
Para os distantes casais.
Há quem não tenha dinheiro
Paga-se em quartas de milho
Este dia vive-se inteiro
E assim se cria um filho.
Casas de roupa estendida
Seja dúzia ou quarteirão
A sardinha traz nova vida
A quem a come no pão.
Mesmo no rol dos fiados
Tem cada dia a surpresa
Sabe escolher dos dois lados
Toucinho ou peixe na mesa.
Fritas, cozidas ou assadas
As sardinhas estão no pão
Com sopa de misturadas
A mais feliz refeição.
Esta bela sardinheira
Da Vieira de Leiria
Caminha a manhã inteira
Para chegar à Abadia.
Com rodilha feita em casa
Ou comprada numa feira
O calor do sol em brasa
Não detém a sardinheira.
Sardinheira do meu sonho
Está no Liceu de Leiria      
Na balada que proponho
Só sobeja a melodia.
 
José do Carmo Francisco    
    
(Fotografia de autor desconhecido)

segunda-feira, 16 de junho de 2025

Nova marcha de Santa Catarina

 

(Lisboa 14-6-2025, dedicado a Luís Almeida)


Nova marcha de Santa Catarina

Dizem que veio de Espanha
Quem ensinou esta arte
Podia ser da Alemanha
Ou até da Grâ Bretanha
O Mundo é uma só parte.
Começou em oficinas
Gente da casa e dos povos
Unidades pequeninas
Com cornos das Argentinas
Para fazer cabos novos.
Santa Catarina
Teus navalheiros
São a tua imagem
São os primeiros.
Santa Catarina
Meu sentir profundo
O teu nome chega
A todo o Mundo.
Nas Relvas ou Granja Nova
Seja qual for o lugar
Na Quinta da Ferraria
No Peso ou na Vigia
Toca a roda a amolar.
Penas e Casal da Azenha
Seja a Mata ou a Portela
Não há quem te detenha
És a beleza estremenha
És a mais linda aguarela
Santa Catarina
Teus navalheiros
São a tua imagem
São os primeiros
Santa Catarina
Meu sentir profundo
O teu nome chega
A todo o Mundo
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de autor desconhecido)

domingo, 11 de maio de 2025

Musa em memória de esplanada

 


Musa em memória de esplanada
 
Onde outrora havia o gás
E uma bomba de gasolina
A musa é um selo de paz
Na esplanada desta esquina.
 
Apenas o TOFA se mantém
Nas doces saquetas eternas
E quase não para ninguém
São as esplanadas modernas.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme)


sexta-feira, 9 de maio de 2025

Musa em fim de semana

 


Musa em fim de semana
 
Quando chega a sexta-feira
Nas folhas dum calendário
Na Quinta da Regaleira 
O tempo passa ao contrário.
 
A musa abre um império
De sonhos e de segredos
No poço que é um mistério
O som do mar nos penedos.

José do Carmo Francisco  

(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Musa em azul celeste

 


Musa em azul celeste
 
As ondas são Natureza
Tua voz é uma Cultura
Alcancei uma certeza
Encontra quem procura.
 
Pensamentos profundos
Nascem desta maneira
Na voz que liga os mundos
Há o clarim e a bandeira.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luis Eme - Foz do Arelho)


domingo, 10 de novembro de 2024

Musa a ouvir Verdes Anos

 


Musa a ouvir Verdes Anos
 
No coração de quem passa
Verdes Anos, quem diria
Músico Rui, de sua graça
Reinventa a melodia.
 
No Metro Restauradores
Tudo o que era inda está
Ao fundo dos corredores
Os cafés Luanda e Vává.
 

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)

 

terça-feira, 19 de março de 2024

Novo poema nº 44 para Ana Isabel


Novo poema nº 44 para Ana Isabel

A bandeira vermelha é uma indicação para os banhistas mas o nadador-salvador está sem trabalho; a gente da praia prefere o espaço intermédio entre o oceano e a terra para brincar na água que sobejou da recente maré cheia.

O café do motociclista é um combustível cultural no fim da manhã, intervalo de viagens feitas e por fazer na máquina voadora a rasgar a paisagem e a assustar o povoamento. 

Porque tudo isto se inscreve nos dias das férias que, mesmo perturbadas pela pandemia, não deixam de se impor no calendário de quem aqui se fixou de modo provisório.

 José do Carmo Francisco  

(Fotografia de Luís Eme - Algarve) 


domingo, 21 de janeiro de 2024

Novo poema nº 42 para Ana Isabel


Novo poema nº 42 para Ana Isabel

Eram frugais os cavaleiros de Nuno Álvares Pereira a caminho de Monchique; davam de beber aos cavalos na ribeira de São Teotónio, a seguir rezavam e só depois comiam pouco e devagar.

É por tudo isso que ainda hoje tanto a imagem e como o altar antigo permanecem e continuam no pequeno Santuário do Monte da Orada.

Porque nem tudo se perde na erosão do tempo que, sempre e todos os dias, trabalha para o lado do esquecimento.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de autor desconhecido)

 

segunda-feira, 5 de junho de 2023

Novo poema nº 33 para Ana Isabel


Novo poema nº 33 para Ana Isabel

«No dia em que o rei fez anos» de José Cid era sempre cantado pelo instruendo Lousada nas patrulhas nocturnas da Escola Prática entre A-da-Beja e a Alameda das Linhas de Torres.

Cinquenta anos depois a Sociedade Filarmónica Catarinense recorda na Caldas da Rainha essa mesma melodia num arranjo para seus naipes de instrumentos e para a juventude dos executantes que ainda não eram nascidos nesse tempo.

Porque a canção não deixa de ser a mesma; diferente é apenas a massa sonora levantada da terra entre o vento a sacudir a partitura na estante e a emoção de sentir de novo tudo o que o tempo separou.

José do Carmo Francisco  

(Fotografia de autor desconhecido)


segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

Novo poema nº 27 para Ana Isabel


Novo poema nº 27 para Ana Isabel

O consultório é como uma nave espacial, o médico neurologista é também o astronauta viajante com seus sapatos pretos de vento e sua bata branca de luz.

Há uma brisa do mar entre os automóveis do parque e e a sala de espera, como uma  pequena capela de devoção privada onde o altar tem ao centro um livro de 1817 do doutor Parkinson sobre esta patologia.

Porque é antiga a procura de uma cartografia entre a causa e o efeito, entre a dúvida e a certeza, entre o sintoma e a terapêutica.  

José do Carmo Francisco

(Óleo de Henri Matisse)


segunda-feira, 31 de outubro de 2022

Novo poema nº 23 para Ana Isabel

 

Novo poema nº 23 para Ana Isabel

Na página 150 de Os Pescadores de Raul Brandão há nomes de barcos na Nazaré: Formosa Ana, Luz do Sol, Senhora da Memória, Mar da Vida. Na página seguinte surgem os pescadores Joaquim Chita, Carlos Petinga, Cara Má, Miguel Panelão e Esgaio entre outros. 

É possível que esse pescador Esgaio seja o bisavô do jovem jogador Esgaio que acabou de assinar contrato com o Sporting Clube de Portugal por vários anos.

Porque o que mais lembro desse jovem futebolista são as canadianas por si usadas em 2006 quando recebeu uma medalha num Torneio de Futebol Juvenil em Frielas.

José do Carmo Francisco   

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Novo poema nº 19 para Ana Isabel

Novo poema nº 19 para Ana Isabel

Os livros são como as pessoas; a capa omite, disfarça, oblitera e desvia a atenção tal como o rosto esconde muitas vezes o perfil e o conteúdo do ser humano que depressa se perde na multidão.

Em O meu grande livro dos Animais de 1997 a capa não revela a identidade da autora do texto e indica apenas o nome da ilustradora. O livro Transporte Sentimental de 1999 tem um veleiro na capa e no miolo estão poemas com autocarros, eléctricos, elevadores e cacilheiros     

Porque nunca é demasiado o tempo que se gasta neste olhar sobre dois livros tão diferentes e tão iguais; como se a cidade de Hong Kong fosse ali ao pé de Xabregas.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme)

 

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Novo poema nº 16 para Ana Isabel


Novo poema nº 16 para Ana Isabel

Na grande Feira da Rio Maior em 1955 ouvi uma mulher cega cantar assim: «foi numa aldeia alentejana mas que horror/que uma mãe matou três filhos duma vez.

Desgraças, crimes e misérias sempre houve e haverá no Mundo; está tudo explicado na Bíblia e nas Obras Completas de William Shakespeare.

Porque a única resposta à Morte é a Vida, o mesmo é dizer - a juventude de uma mulher feita bandeira de um amor pleno, forte e infinito.

José do Carmo Francisco


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Poema afastado nº 57 para Ana Isabel


Poema afastado nº 57 para Ana Isabel

Nos meus tempos de Ciclo Preparatório lá pelos idos de 1962 em Vila Franca de Xira tive um colega de turma a quem os mais próximos chamavam «talita», palavra que só hoje (2022) descobri ser de origem aramaica e significar «rapariga»,

Hoje não me é possível destrinçar o que ao tempo haveria de irónico no uso dessa palavra; sei apenas que no Brasil está muito vulgarizado o seu uso e há muitos milhares de meninas com esse nome.

Tudo conforme o livro «Jesus de Nazaré» de José da Felicidade Alves que na sua página 19 recorda o Evangelho de São Marcos e as palavras aramaicas no milagre da filha de Jairo: «talitha kum» – que é rapariga levanta-te!

José do Carmo Francisco


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Novo poema nº 10 para Ana Isabel

 


Novo poema nº 10 para Ana Isabel

Em Janeiro de 1960 foi a fuga de Peniche; um GNR veio de bicicleta chamar o meu pai para conduzir a camioneta do Palácio da Justiça com um grupo de guardas prisionais, polícias e guardas republicanos.

Iam todos do Montijo para Pegões tentar deter no cruzamento os por eles chamados malandros que tinham fugido do Forte de Peniche pelo lado do oceano com os lençóis a servirem de cordas.  

Meu pai nunca acreditou que os presos de Peniche fossem aparecer em Pegões mas como ele disse baixinho «El-rei manda avançar, não manda chover.»

José do Carmo Francisco 

(Desenho de Cruzeiro Seixas)