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terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Musa em azul celeste

 


Musa em azul celeste
 
As ondas são Natureza
Tua voz é uma Cultura
Alcancei uma certeza
Encontra quem procura.
 
Pensamentos profundos
Nascem desta maneira
Na voz que liga os mundos
Há o clarim e a bandeira.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luis Eme - Foz do Arelho)


segunda-feira, 5 de junho de 2023

Novo poema nº 33 para Ana Isabel


Novo poema nº 33 para Ana Isabel

«No dia em que o rei fez anos» de José Cid era sempre cantado pelo instruendo Lousada nas patrulhas nocturnas da Escola Prática entre A-da-Beja e a Alameda das Linhas de Torres.

Cinquenta anos depois a Sociedade Filarmónica Catarinense recorda na Caldas da Rainha essa mesma melodia num arranjo para seus naipes de instrumentos e para a juventude dos executantes que ainda não eram nascidos nesse tempo.

Porque a canção não deixa de ser a mesma; diferente é apenas a massa sonora levantada da terra entre o vento a sacudir a partitura na estante e a emoção de sentir de novo tudo o que o tempo separou.

José do Carmo Francisco  

(Fotografia de autor desconhecido)


sábado, 13 de abril de 2019

Encomendação das Almas no Palácio Baldaya



Encomendação das Almas no Palácio Baldaya

Quem canta por conta sua
Canta sempre com razão
Nas Corgas cantam na rua
No Baldaya foi num salão.
A Cultura e a Natureza
Unidas numa oração
A cantar também se reza
Pela voz dum coração.
Entre as sete senhoras
A voz do homem pontua
Esta liturgia das horas
Numa igreja que é a rua.
Ficou o cheiro da cera
Das velas duma lanterna
Perfume de Primavera
Nem antiga nem moderna.
E num Dia do Senhor
Voz do Campo na Cidade
Veio levantar um clamor
E deixar uma saudade.
Bendita e louvada seja
A força que fez juntar
Numa privada igreja
Este grupo neste lugar.

José do Carmo Francisco 

(Fotografia de Autor Desconhecido)

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Poema periférico para Eduardo Guerra Carneiro


Poema periférico para Eduardo Guerra Carneiro

A velha fotografia em Mafra junta quatro talentos
Eduardo Guerra Carneiro, Nuno Guimarães, José Cid
E Adriano Correia de Oliveira, os músicos e os poetas.
Hoje apenas José Cid canta na quinta em Mogofores
Em nome da memória dessas quatro vozes antigas
No distante ano de mil novecentos e sessenta e dois.
Em Mafra se ensinava e se aprendia a matar negros
Em emboscadas, golpes de mão, assaltos de surpresa
Num Mundo apenas dividido em nossas tropas e inimigo.
Era José Cid que sempre levava ao ombro duas G três
A arma dele e a do Adriano, quase sempre cansado
A meio das marchas do pelotão na Tapada de Mafra.
As clarabóias das casas acendem mais cedo deste lado
Porque aqui o Sol chega primeiro na manhã de Lisboa
No Pai do Vento onde há hoje uma memória de moínhos.
Em Vila Real no Liceu chamavam «galego» ao Eduardo
Mas ele não se importava ele queria ser um emigrante
O Circo Mariano, os ciganos, os galegos, os nómadas.

José do Carmo Francisco
         

domingo, 12 de agosto de 2018

Segunda balada para o Museu da Carrapateira



Segunda balada para o Museu da Carrapateira

No milho as sete meninas
Com o homem a fazer par
As águas frescas das minas
Matam a sede de cantar.
Na várzea desta ribeira
Tudo se dá tudo se cria
À noite junto à lareira
A ceia é sempre alegria.
Lugar feliz, verdadeiro
Do cansaço da colheita
Tulhas cheias no celeiro
Da sementeira perfeita.
Linha de separação
Entre a terra e o mar
E corta a respiração
A quem veio espeitar.
Ali qualquer distracção
Pode perder uma vida
Presa à corda com a mão
Pescaria apetecida.
Na mesa do restaurante
Em forma de um petisco
Num lugar longe distante
Ninguém lembra esse risco.

José do Carmo Francisco   

(fotografia de autor desconhecido)