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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Novo poema nº 17 para Ana Isabel


Novo poema nº 17 para Ana Isabel

Às vezes o poema está nas costas de um sobrescrito usado, outras num qualquer resto de fotocópia que uma tesoura cortou; é sempre um espaço em branco e um desafio.

Chamam-lhe arte pobre porque vive do lápis barato ou da esferográfica oferecida por uma Câmara Municipal, nasce sem precisar de luxo público nem de distinção particular.

Porque é da grande escassez de meios que a voz do Homem ganha força e se eleva para cantar ou para reflectir sobre tudo aquilo que não se pode dizer de outra maneira.     

José do Carmo Francisco 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)   

 

domingo, 19 de janeiro de 2020

Almanaque



Almanaque

O meu dia começa às quatro e meia
E as tardes são as novas madrugadas
Na tabela de almanaque a maré cheia
Com as palavras assim meio cruzadas.

O lápis e o papel é que eu preciso
Basta-me apenas o que é essencial
Nas viagens a caminho do Paraíso
O poema é o pão do meu bornal.  

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Jean Dieuzaide)