quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Canção breve para um poema de Carlos Pinhão

 

Canção breve para um poema de Carlos Pinhão
 
«Chulo, cabrão, paneleiro»
Chamava a velha ofendida
Ao que lhe disse primeiro
«Velha» e «atraso de vida».
Das janelas do seu jornal
Carlos Pinhão foi atento
A rua era outro Carnaval
Ali, naquele momento.
 
José do Carmo Francisco
 
(Fotografia de Luís Eme)

terça-feira, 27 de outubro de 2026

Canção breve nº 23 para Luisinha

 

Canção breve nº 23 para Luisinha
 
Os olhos são Portas do Sol
Os cabelos são a ventania
A voz é um grande paiol
Onde se esconde alegria.
Mesmo um poeta afoito
Nesta vertical do lugar
Se os versos são só oito
Resta muito por cantar.
 
José do Carmo Francisco
 
(Óleo de Gerda Wegener)

domingo, 25 de outubro de 2026

Canção breve nº 22 para Luisinha


 
Canção breve nº 22 para Luisinha
 
São três linhas reunidas
Dentro da mesma pessoa
Três tempos e três vidas
Numa força que ressoa.
Na aluna é a juventude
Professora é magistério
Na empregada a virtude
Não tem nenhum mistério.
 
José do Carmo Francisco
 
(Óleo de Vanessa Bell)

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Canção breve nº 20 para Luisinha


Canção breve nº 20 para Luisinha
 
É do signo do Caranguejo
Com ascendente Balança
Nunca perde um ensejo
Não desiste nem se cansa.
A sua força determina
Estar do lado da Razão
Continua a ser menina
Na palavra e na acção.
 
José do Carmo Francisco
 
(Óleo de Edmund Blair Leighton)

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Canção breve nº 19 para Luisinha


Canção breve nº 19 para Luisinha

É professora sem Escola
Não desiste da Verdade
Mas vive numa barrajola
Bem no centro da Cidade.
Tem os poemas dispersos
Por vários Blogs do Mundo
Desenhado em oito versos
 Há o sentimento profundo.

José do Carmo Francisco 

(Óleo Bereny Robert)

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Canção breve nº 18 para Luisinha

Canção breve nº 18 para Luisinha

Musa da História, Luísa
Passa de livro na mão
A Coragem é precisa
Na Esperança da Razão.
Linha esquerda ou direita
Do Rio que tudo inunda
A Porta do Sol é estreita
Mas a visão é profunda.

José do Carmo Francisco

(Óleo de Henry Clive)

domingo, 18 de outubro de 2026

Domingo à tarde em Falconwood


Domingo à tarde em Falconwood

 

poema autógrafo para Francisco José Viegas  
 
O olhar do menino entrou no meu poema / E não mais saiu. Era um olhar sentido /
Na revolta de uma exclusão cruel e súbita.
Sentado num banco frente à mesa da festa / não o deixam falar com os conhecidos /
Entre vizinhos e colegas de turma na escola.
Quase tudo em seu redor era em miniatura / locomotivas e linhas de volta à infância /
Porque o carvão e os apitos são verdade. 
O olhar do menino era em ponto grande / e a sua dôr tinha o volume da sua idade /
Sete anos bem medidos no meu olhar.
Não era problema não o terem convidado / mas sim a proibição de se aproximar /
E de comunicar com as crianças da festa.  
Festa com pouco de muito recomendável / além de bolos de fábrica e sumos de pacote /
Bebés e mães com problemas hormonais.
Vejo no menino de Falconwood o meu olhar / quando na minha vida outros me disseram /
Que queres daqui? - como quem bate a porta. 
E ao bater a porta deixam do lado de fora / os sonhos de quem, como eu, só queria fazer /
Um breve recado sobre o tempo que passou.
Nos jornais, nas revistas e nas editoras / nos encontros e desencontros das letras e da vida /
Muitas vezes ouvi a pergunta - Que queres daqui?      
Foi esse desprezo, essa vaidade, esse rancor / que eu vi hoje no olhar triste do menino /
Nos comboios miniatura de Falconwood.
Lá tudo é miniatura desde o fumo ao apito / desde as várias linhas às passagens de nível /
Tudo menos o olhar do menino afastado. 
 
José do Carmo Francisco

(Óleo de Alessandro Tofanelli)


quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Canção breve nº 17 para Luisinha

 

Canção breve nº 17 para Luisinha
 
Clio, sendo Musa da História
Tem na mão um pergaminho
Entre o Tempo e a Memória
Uma Lenda não tem caminho.
Eu entre um facto e um mito
Entre um sonho e uma paixão
Mas numa coisa eu acredito
Aqui a Morte não tem razão.
 
José do Carmo Francisco
 
(Óleo de Emília Santos Braga)

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Canção breve nº 2 para Luisinha


Canção breve nº 2 para Luisinha
 
Teu olhar é uma esquina
A tua voz tem um rumor
Tu és sete vezes menina
Mas seja lá o que isso for.
Tudo é questão de critério
Ou então ponto de vista
Não descubro teu mistério
Mesmo que tente e insista.

José do Carmo Francisco
 
(Óleo de Frank Benson)

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Canção breve para Luisinha

 

Canção breve para Luisinha
 
Já não há os carros de assalto
Nem Esquadrões Cavalaria
Luísa atravessa um planalto
E passa por ser a Santa Iria.
Portas do Sol é um jardim
As flores são de ninguém
Entre o princípio e o fim
A princesa de Santarém.
 
José do Carmo Francisco
 
(Fotografia de autor desconhecido)