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domingo, 21 de setembro de 2025

Canção breve para os meninos na Foz do Arelho


 
Canção breve para os meninos na Foz do Arelho
 
Sejam o Lucas e o Tomás
Sejam o Pedro e o António
Os quatro são gente capaz
De funcionar em harmónio.
Numas férias merecidas
Entre a Lagoa e o Mar
Quatro linhas quatro vidas
Sempre prontas a cantar.
 
José do Carmo Francisco
 
(Fotografia de Luís Eme)

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Balada da colónia balnear do Montijo



Balada da colónia balnear do Montijo

Numa toalha estendida
Que era como um muro
Estava o mistério da vida
Onde o passado é futuro.
Na caixa de fato de banho
Fundo negro branca espuma
Sem dimensão ou tamanho
Tudo é coisa nenhuma.
Sessenta anos depois
Da colónia balnear
Ficamos aqui os dois
Para sorrir e cantar.   
Na Praia da Figueirinha
Ou será na Cachofarra
Da neblina da tardinha
Só fica uma algazarra.
Do passado é só memória
E do futuro é só sonho
O poema conta a história
Do mistério que proponho.
De tantos anos passados
 A vida não se revela
Anda por todos os lados
Entre sépia e amarela.
Perto do Cais da Cortiça
Com galeras de Pegões
Um sabor a injustiça
Sem motivos ou razões
Mesmo que tente e insista
Num futuro apenas meu
Este filho dum motorista
Nunca irá para um Liceu.
Seu destino é só cantar
Na camionete da carreira
Que a colónia balnear
É tempo de vida inteira.

José do Carmo Francisco

(Fotografia da Colecção Particular de JCF)

domingo, 23 de dezembro de 2018

Os cães da noite na Carrapateira



Os cães da noite na Carrapateira

A refeição mais excelente
Perde o tom de encantar
Quando surge de repente
Uma matilha a ladrar.
Sem dono e sem coleira
 Entre as mesas da frente
Os cães da Carrapateira
Incomodam toda a gente.
E a rapariga loura a cantar
Canção de voz estrangeira
Faz um contraste do mar
Com a paz da Carrapateira.
Onde a luz do fim do dia
Se desfaz ali no fundo
Naquilo que eu perseguia
Procurando a paz do Mundo.
Que se encontra noutra mesa
Dum diverso restaurante
Onde já não é surpresa
Um cão ser mais importante.
E ainda falam de Turismo
Casa às costas, pé descalço
Nem Parque de Campismo
Tudo isto me soa a falso.

José do Carmo Francisco  

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Balada da casa da Ericeira


Balada da casa da Ericeira

A casa que não é minha
Mas onde me sinto bem
Os galos de manhãzinha
Não deixam dormir ninguém

O vento traz a frescura
Que bate à porta do Verão
Uma varanda segura
Longe da maior confusão

A janela dá para o mar
O pinheiro serve de espelho
Que reflecte a luz do lugar
No moinho branco e velho

Caldeirada de paciência
Faz refeição de alegria
Entre a arte e a ciência
Esplendor de gastronomia

Entre o mar e a montanha
A casa é balcão voltado
Para uma luz estranha
Que vem ter a este lado

Nesta escada da paisagem
Com o mar aqui defronte
É no azul desta viagem
Que desenho o horizonte

A casa que não é minha
Mas onde me sinto bem
A serra é nossa vizinha
O mar fica mais além

José do Carmo Francisco  

(Fotografia de Autor Desconhecido)