Mostrar mensagens com a etiqueta Baladas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Baladas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 16 de agosto de 2020

Balada do Vale de Janelas



Balada do Vale de Janelas

                                   (poema autógrafo para Luís Santos)

O parque de luxo em frente
Automóveis de cilindrada
Com lombas já é diferente
Sendo rua não é a estrada.
Tempo ideal do desporto
Com carrinhos e relvado
Viatura em ponto morto
Frente ao vale encantado.
E no sossego da neblina
Não há tempo ou demoras
Cada burgo, uma piscina
Não se dá por estas horas.
No som da rebentação
O ritmo até ganha asas
No contrário do Verão
Vale o calor das brasas.
Sabendo que tudo alcança
Seu estatuto adequado
A corrida duma criança
Vai chegar a todo o lado.
Na varanda deste café
Onde espaço não confina
Esta balada é o que é
Continua e não termina.

José do Carmo Francisco 

(Óleo de Heinrich Vogeler)   

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Balada para Ana Isabel



Balada para Ana Isabel

Nesta visita à infância
Em quotidiana rotina
Logo se quebra distância
Na voz da mulher-menina.
Seja Inverno ou Verão
Outono ou Primavera
A multiplicada paixão
Tem uma criança à espera.
Está na força não pequena
Que transpira desta mesa
A razão da mais serena
Muralha da fortaleza.
São escritoras são actrizes
São rainhas ou princesas
Também as imperatrizes
Usam as letras acesas.
Venha dum livro sagrado
Ou duma lenda de Baal
O nome está registado
Na História de Portugal.
Uma santa foi rainha
Com as rosas feitas pão
No avental de cozinha
Um amor tinha razão.
Na mesa de despedida
Histórias e ilustrações
A ternura recolhida
Vai nos jovens corações.

José do Carmo Francisco 

(Óleo de Gleb Barabanschikov) 

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Balada da carreira da viúva



Balada da carreira da viúva

Bilhetes para o passado
Não os tem o cobrador
Quem os tivera comprado
Iria até seja onde fôr

O tempo em que os beijos
Não tinham preço ou valor
As lágrimas e os desejos
Eram grátis como o amor

Da Meda para o Pinhão
Ou no sentido contrário
Viagem dum coração
Capaz de ser solidário

Meter dentro da carreira
Os amigos de Joaquim
Sentados à sua beira
Uma viagem sem fim

Para sair em Vilarouco
Ou entrar em Ervedosa
Na viagem pouco a pouco
A carreira é vagarosa

Em S. João da Pesqueira
Desce quem vem da Horta
E ao sair desta carreira
Vai e não fecha a porta

Poço do Canto é que queria
Salvar uma alma sedenta
Camioneta desta alegria
Nunca passa dos quarenta

Entre Touça e Sequeira
Se perdeu o meu passado
Na viagem da carreira
Ninguém vai aqui ao lado

Joaquim do Nascimento
Na memória ao volante
Este livro é um momento
E a vida é só um instante

José do Carmo Francisco

(Foto de autor desconhecido)
                                                

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Balada do Museu da Carrapateira


Balada do Museu da Carrapateira

Neste resumo do Mundo
Feito numa casa de luz
Há um sentido profundo
Do que a memória produz.
Num arado tão comprido
Puxado por dois muares
Fica um passado relido
De todos estes lugares.
Nos fósseis tão presentes
Em memória do passado
Há nas escalas diferentes
Partes do mar reservado.
Mar e terra lado a lado
Pescaria e sementeira
Há um tempo registado
Museu da Carrapateira.
Para além deste lugar
E além desta memória
Parte da terra e do mar
Entram na mesma história.
Dos corsários invasores
Vinham roubar amiúde
Escravos para os senhores
A mais bela juventude.     

José do Carmo Francisco

domingo, 15 de outubro de 2017

Balada para uma fotografia de 1978


Balada para uma fotografia de 1978

Minha filha Ana Maria
Quando era pequenina
Ficou na fotografia
Lá em Santa Catarina.
Entre a avó e o avô
Nessa rua sossegada
O que era e o que sou
Está tudo, não falta nada.
Quarenta anos passados
O tempo quase que voa
Há luz por todos os lados
Como se fosse em Lisboa.
Seus filhos Lucas e Tomás
Meus netos junto ao Tamisa
Procuram saúde e paz
Tudo aquilo que se precisa.
Nos mistérios desta vida
Entre sonhos e escuridão
Não passa despercebida
Toda a nossa situação.
Papagaios no planalto
Com crianças e seus pais
Num tempo de sobressalto
Há horas de nunca mais.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de autor desconhecido)

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Balada para Hélder Oliveira


Balada para Hélder Oliveira

Transporte Sentimental
Na viagem ao passado
Este som de Portugal
Vai comigo a todo o lado.
Em Moscovo de surpresa
Os parabéns do amarelo
Uma história portuguesa
Entre a Estrela e o Castelo.
Há um homem faz agulha
No cruzamento um destino
Estou no carro da Pampulha
E sou de novo um menino. 
Vou ao Chile pela chapa
Para poder trabalhar
Troco palhinha por napa
Junto à janela o lugar.
E nas Escolas Gerais
Inda resiste a carreira
Avisos não são de mais
Cuidado com a carteira.
Num dia de manhã cedo
Escola Marquês de Pombal
Fiz o exame do medo
No Instituo Comercial.
No mapa desta cidade
Há jogos no calendário
Tapadinha e Alvalade
Luz e Restelo ao contrário.
Foi de eléctrico atrelado
No Estádio foram leões
E o Celtic foi festejado
Campeão dos campeões.
Lá vai Helder de Oliveira
Que caminha sem receio
Está na Praça da Figueira
Saudando o guarda-freio.

José do Carmo Francisco   

(Fotografia de autor desconhecido)