sexta-feira, 29 de abril de 2022

Novo poema nº 13 para Ana Isabel


Novo poema nº 13 para Ana Isabel

A Nova Gente de 24-6-21 não tem razão: o jogo Casa Pia-Sporting em Pina Manique foi em 17-10-99 (não em Setembro), o CR7 não foi o capitão de equipa (era o Carlos Marques), o Campeonato era de Iniciados (não de Juvenis).

Nessa manhã foi decisivo o árbitro António Cardoso, o enfermeiro Fontinha, o treinador Palhares e o Delegado Atanásio. Na transferência do Nacional para o Sporting foi importante o Dr. Marques de Freitas, o Dr. Simões de Almeida, Aurélio Pereira, Leonel Pontes e Isabel Trigo de Mira.

Porque não podemos esquecer Luís Dias, Paulo Cardoso, Osvaldo Silva, Paulo Leitão, Luís Gonçalves, Luís Martins e João Couto, salvo erro ou omissão; e «pelos frutos se conhece a árvore».    

José do Carmo Francisco


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Poema afastado nº 57 para Ana Isabel


Poema afastado nº 57 para Ana Isabel

Nos meus tempos de Ciclo Preparatório lá pelos idos de 1962 em Vila Franca de Xira tive um colega de turma a quem os mais próximos chamavam «talita», palavra que só hoje (2022) descobri ser de origem aramaica e significar «rapariga»,

Hoje não me é possível destrinçar o que ao tempo haveria de irónico no uso dessa palavra; sei apenas que no Brasil está muito vulgarizado o seu uso e há muitos milhares de meninas com esse nome.

Tudo conforme o livro «Jesus de Nazaré» de José da Felicidade Alves que na sua página 19 recorda o Evangelho de São Marcos e as palavras aramaicas no milagre da filha de Jairo: «talitha kum» – que é rapariga levanta-te!

José do Carmo Francisco


quinta-feira, 31 de março de 2022

Novo poema nº 12 para Ana Isabel


Novo poema nº 12 para Ana Isabel

A mulher pobre chorou depois de pedir duzentos euros a um padre para pagar a factura da electricidade; ele vinha da agência bancária onde levantou dois mil euros.

Com tantos problemas humanos no percurso entre o balcão do Banco e a Casa do Gaiato, ele já só tinha um pequeno saldo e foi todo.

Porque é ela diabética e a insulina precisa de frigorífico; se a mulher pobre não pagar esta conta atrasada a Companhia corta a ligação à rede.    

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Henri Cartier-Bresson)   

         

domingo, 13 de março de 2022

Novo poema nº 11 para Ana Isabel

 


Novo poema nº 11 para Ana Isabel

Na carta de 1926 para Simão Neves o Padre Américo, fundador das Casas do Gaiato, agradece as revistas National  Goegraphic Magazine e afirma: «Eu tenho muita pena dos homens que se embriagam».

Mais tarde em 1940 ajuda uma mulher pobre e desabafa em Coimbra: «Homens que por nada espancam as suas mulheres, choram com pena doutras!».

Porque eram carroceiros, andavam ao fanico mas tinham um fundo de bondade e devolveram ao Padre Américo o dinheiro do bilhete da mulher que ia para Lisboa e teve uma boleia.   

José do Carmo Francisco

(Fotografia de J.C. Alvarez)


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

Novo poema nº 10 para Ana Isabel

 


Novo poema nº 10 para Ana Isabel

Em Janeiro de 1960 foi a fuga de Peniche; um GNR veio de bicicleta chamar o meu pai para conduzir a camioneta do Palácio da Justiça com um grupo de guardas prisionais, polícias e guardas republicanos.

Iam todos do Montijo para Pegões tentar deter no cruzamento os por eles chamados malandros que tinham fugido do Forte de Peniche pelo lado do oceano com os lençóis a servirem de cordas.  

Meu pai nunca acreditou que os presos de Peniche fossem aparecer em Pegões mas como ele disse baixinho «El-rei manda avançar, não manda chover.»

José do Carmo Francisco 

(Desenho de Cruzeiro Seixas)

    

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Novo poema nº 9 para Ana Isabel

 


Novo poema nº 9 para Ana Isabel

De Outubro de 1958 a Julho de 1961 percorri os quatro anos lectivos da Escola Primária em três anos civis. Entrei na Escola com sete anos mas nunca me sentei na fila dos burros nem dos assim-assim; sempre na dos bons.

Graças a uma carta do pároco da minha aldeia, o Ministro da Educação Nacional autorizou o exame da terceira classe em Abril e o da quarta em Julho de 1961.

Porque nunca é tarde para se fazer justiça que, sempre relativa, não deixa de ser justa mas da humilhação já ninguém me pode livrar.  

José do Carmo Francisco 

(Óleo de Karl Schmidt)


segunda-feira, 24 de janeiro de 2022

Novo poema nº 8 para Ana Isabel


Novo poema nº 8 para Ana Isabel

O grupo de mulheres mandou o menino «brincar para a estrada» mas em 1956 não era perigoso porque entre Alcobaça e Caldas da Rainha o trânsito era muito reduzido.

As vizinhas insistiam nas toalhas limpas e nas panelas de água quente para que tudo corresse bem à criança a nascer e à mãe de vinte e cinco anos.

Porque nem a tosse convulsa nem a infecção intestinal a conseguiram derrotar é que a alegria de hoje é feita de lágrimas e de sangue pisado.    

José do Carmo Francisco  

(Óleo de Frederic Bazille)


quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Novo poema nº 7 para Ana Isabel



Novo poema nº 7 para Ana Isabel

Algumas das portas dos prédios desta Rua ostentam flores pequenas em cima da madeira da porta como se ela fosse um lugar de oração e não um ponto de passagem.

Nesta liturgia urbana é como se houvesse uma missa campal: o sol, o altar, o calor, a palavra, as espécies do ofertório, as lágrimas da comunhão.

Porque em Janeiro morreu uma menina e por cada sonho adiado surge uma flor sobre a madeira da porta na teimosia ingénua mas profunda de juntar de novo tudo aquilo que a morte separou.

José do Carmo Francisco

(Óleo de Henri Matisse)


quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

Novo poema nº 6 para Ana Isabel


Novo poema nº 6 para Ana Isabel

Esta rua discreta tem um arco de pedra como se fosse um agrafe gigante a unir duas casas; dois blocos de telhado, a parede, as portas e as janelas.

Por aqui passaram noutro tempo muitas carruagens com gente apressada; tanto quanto se podia ter pressa no século XVIII.

Porque tudo se dilui na memória dos afectos pessoais, cinquenta e cinco anos depois da primeira passagem entre a Rua de O SÉCULO (que já foi Rua Formosa) e o Hospital de Jesus.   

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Paulo Guedes)


segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Brado e clamor nº 26 para Ana Isabel


Brado e clamor nº 26 para Ana Isabel

Hoje soube que na Festa do Jardim Infantil do meu neto António que tem cinco anos cantaram uma canção de José Mário Branco na qual se diz que «quando for grande quero ser pequeno». 

Poucos minutos depois vi um filme sobre Sandy Denny (1947-1978), vocalista do Grupo Fairport Convention e ainda agora rainha da pop inglesa cujo corpo repousa num dos cemitérios de Londres.

O segredo está em perceber que ao lado da luz da vida está o escuro da morte, entre o Príncipe Real e Putney Vale, um jardim e um cemitério, uma possível chave para «ser pequeno quando for grande» como diz a canção de José Mário Branco.

 José do Carmo Francisco

(Fotografia de autor desconhecido)