terça-feira, 2 de fevereiro de 2021
Memória justificativa do livro «The Busby Years»
segunda-feira, 25 de janeiro de 2021
Sobre um tema de Vitorino Nemésio
sábado, 16 de janeiro de 2021
Não me venham com cantigas (para J.H. Santos Barros 1946-1983)
Não me venham com cantigas (para J.H. Santos Barros
1946-1983)
Claro que fazer versos dói, não duvido, mas o pior é doer
em mim
o que fizeram aos teus versos, soltando os cães que os
dizimaram
fingindo esquecer que a melhor homenagem possível é a de
respeitar
os teus poemas dos anos 60, 70 e 80. Mas não, mas não.
Como se não bastasse a tragédia de 83, o país de sacanas
e de analfabetos
celebrou em trágico os teus 75 anos no passado dia um de
Janeiro.
Havia o morto que fala, o cantor que não canta, o juiz
que trabalha na TV,
temos um livro povoado de erros crassos e de gralhas que
também são erros.
Ao contrário de ti não digo «venham-me com cantigas» mas
sim
«não me venham com cantigas» também porque já não tenho
idade.
Porque um dia terei de explicar à tua neta que vive nos
Estados Unidos da América
esta trapalhada bem portuguesa. Porque ela usa o nome da
família da Ivone em Grândola
um nome que define una medida para servir a aguardente
nas tabernas.
E eu não sou capaz. Vai para além do meu entendimento.
José do Carmo
Francisco
(Desenho de Cruzeiro Seixas)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
Balada da sardinheira da Abadia
domingo, 20 de dezembro de 2020
Poema autógrafo para Ana Santos Barros
domingo, 22 de novembro de 2020
Meditação breve para Agadir
Meditação breve para Agadir
Treme a terra em Agadir
O passado está presente
Ninguém ali podia fugir
Foi tudo tão de repente.
E na montra da livraria
Livro a preço inesperado
Quem diria, quem diria
Que era este o resultado.
José do Carmo Francisco
(Óleo de Harold Knight)
sexta-feira, 6 de novembro de 2020
Alexei Bueno nas Escadinhas do Duque
Tinha que ser escritor este bandeirante
Nome herói de romance em homenagem
Assim a Rússia já não fica tão distante
Numa vida que é também uma viagem
Nas Escadinhas do Duque é rei à mesa
Dá lições de poesia em breve seminário
Entre cerveja e amendoim nasce a beleza
Da Poesia que o Mundo vê ao contrário
Somos poucos aqui um grupo acantonado
Na mesa posta por D. Rosa na sexta-feira
Viajamos num bacalhau bem temperado
Pelo azeite tão puro e leve duma oliveira
No Camões a mulher feia vende cocada
Desesperam por um visto os brasileiros
Que pena a vida não poder ficar parada
Aqui onde os poemas nascem inteiros
José do Carmo Francisco
(Fotografia de autor desconhecido)
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Balada da Rua de Baixo
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Namorar uma cor: verde
Namorar uma cor: verde
Namorar uma cor…
São muito antigas as minhas
ligações ao verde. A paixão dessa cor desde sempre escolhida como símbolo, como
referência, como preferência, como fixação. Tal como na liturgia da Igreja, o verde
é o sinal da renovação, da Primavera, da vida que se multiplica.
Namorar uma cor…
Como se namora uma pessoa, se
marcam encontros, se sai à noite, se é e se faz tudo para se ser fiel.
Namorar uma cor…
Desde 1966 que, em Lisboa,
mantenho, este namoro. Marco encontros de quinze em quinze dias no relvado do
Estádio José Alvalade. Saio à noite nos jogos das competições europeias.
Procuro ser fiel ao verde sem hesitações nem desânimos. Festejo as vitórias com
muita alegria mas faço das derrotas uma reserva moral para partir ao encontro
de novas vitórias. Apenas isso. Nem um sonho. Nem um drama.
Namorar uma cor…
Hoje como ontem gosto de ver o
relvado sem ninguém. De vez em quando, sempre no fim da tarde, olho-o no grande
silêncio. Vejo nele a sementeira das grandes emoções, dos grandes encontros,
dos resultados felizes.
Hoje como ontem o verde é a
direcção da Primavera, a presença da Esperança, o sentido da Vida a renascer.
Sempre. Para sempre.
(Nota final – Este texto integra o livro «Futebol – iluminuras e textos
consagrados» de Julho de 2004 (Editora Sete Caminhos) e foi recuperado em 7 de
Outubro de 2020)
José do Carmo Francisco
(Fotografia de Autor Desconhecido)








