quinta-feira, 20 de julho de 2023

Paolo Rossi com a camisola 20 azul


Paolo Rossi com a camisola 20 azul

 Falo de factos – não de imagens. /As imagens falam por si.

Em Pontevedra não podia descansar/nos intervalos da neblina e dos boatos./Por tudo e por nada entrevistas, obstáculos,/intrigas por causa de um jogo feio em Braga./Depois o medo perante a Polónia em Vigo/e um nome que toda a gente repetia – Boniek.

N´Kono e Quiroga sem golos meus/Mlynarczyk também, nos três empates de Vigo./Veio uma espécie de chuva triste atrás de mim/no caminho até Barcelona, do outro lado.

Tardelli e Cabrini marcaram por nós/Com Gentile a não dar espaços a Maradona./Bearzot falava comigo num cenário de flores/queria esquecer tantos jogos sem marcar/e havia o silêncio decretado pelo capitão Zoff/mas dentro de mim um receio crescia, grande:/não ser capaz de responder com factos ao medo.

E só contra o Brasil me libertei das sombras/para iluminar três vezes o azul da camisola. /No Estádio do Barcelona de novo a Polónia/e dois golos meus, um em cada parte do jogo./Finalmente no Santiago Barnabéu a final/com a Alemanha Ocidental, como se dizia então/Os golos todos na segunda parte do jogo/a partir do mágico minuto cinquenta e sete.

Foi nos seis golos que desfiz a chuva de Vigo/os quase dois anos sem jogos de competição,/a falta de confiança e a cortina de silêncio/à volta dos cinco jogo sem marcar/incluindo aqui também o jogo de Braga.

Falo de factos – não de imagens. /As imagens falam por si.  

 José do Carmo Francisco

 (Fotografia de autor desconhecido)


Sem comentários:

Enviar um comentário