sábado, 25 de janeiro de 2025

Musa em castanho escuro


 

Musa em castanho escuro
 
Nova declinação dum tom castanho
Bandeira de uma convocada alegria
Juntando na marcha vário tamanho
Mas toda uma uniforme nostalgia.
 
No recanto da casa é uma cozinha
Perto das brasas a luz dum panelão
Na sombra esquecida mas vizinha
Sabemos que a morte não tem razão.

José do Carmo Francisco

(Óleo de Igor Obrosov)
 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Musa em castanho claro

 


Musa em castanho claro
 
É côr de terra a tua camisola
Que multiplica a sementeira
A ternura na porta da Escola
É suspensa para segunda-feira.
 
Na luz feliz destes dois dias
Há uma quase certeza de ficar
Como quem sai das fotografias
Quando estava junto ao mar.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Musa em canção nocturna



Musa em canção nocturna
 
No nocturno cancioneiro
O poema é uma resposta
Se poético é verdadeiro
Só a mentira não gosta.
 
Desta estranha liturgia
A ligar como oração
O sonho do novo dia
Entre instinto e razão.

José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme - Ginjal)

domingo, 22 de dezembro de 2024

Musa em café de subúrbio

 


Musa em café de subúrbio
 
São sete mulheres em duas mesas
Os homens esquecidos, obliterados
Circulam nas rotinas portuguesas
São outros os encontros marcados.
 
Aqui o púlpito é esta televisão
Uma mensagem circula pelo ar
A reportagem no lugar do sermão
Os fiéis no café rezam devagar.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Mulher em azul e branco

 


Musa em azul e branco
 
Mulher em flôr que perfuma
Este escritório acanhado
Traz uma espécie de espuma
Já passou por todo o lado.
 
No som da voz a melodia
No cabelo a tempestade
Quem diria, quem diria
Que começa outra cidade.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

terça-feira, 10 de dezembro de 2024

Musa em azul celeste

 


Musa em azul celeste
 
As ondas são Natureza
Tua voz é uma Cultura
Alcancei uma certeza
Encontra quem procura.
 
Pensamentos profundos
Nascem desta maneira
Na voz que liga os mundos
Há o clarim e a bandeira.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luis Eme - Foz do Arelho)


sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Musa em almoço com Helena e Zé Lopes

 


Musa em almoço com Helena e Zé Lopes
 
Com Francisco e Zé Vilela
Num fanzine imaginado
Na parede que é janela
Vejo a Musa deste lado.
 
É peixe, carne e grelhado
Fruta e doce, café e rua
O repasto terminado
Não acaba e continua.
 
José do Carmo Francisco

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

 

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Musa à porta da Escola

 


Musa à porta da Escola
 
Cinco e meia na Rua do Telhal
Sobem as escadas mães e pais
À espera das crianças sem igual
Que todas afinal são especiais.
 
Há quem não consiga desligar
Motores e mudanças, lentidão
Quando chove a rua é um mar
A gabardina vai vestir o coração.
 
José do Carmo Francisco 

(Fotografia de Luís Eme - Lisboa)

 

domingo, 10 de novembro de 2024

Musa a ouvir Verdes Anos

 


Musa a ouvir Verdes Anos
 
No coração de quem passa
Verdes Anos, quem diria
Músico Rui, de sua graça
Reinventa a melodia.
 
No Metro Restauradores
Tudo o que era inda está
Ao fundo dos corredores
Os cafés Luanda e Vává.
 

(Fotografia de Luis Eme - Lisboa)

 

domingo, 6 de outubro de 2024

Novo poema nº 50 para Ana Isabel


Novo poema nº 50 para Ana Isabel

As três mesas juntas formam um rectângulo mas eles viram as costas ao tapete verde do jogo da Supertaça que a TV transmite em directo de Aveiro.

O vocabulário limitado, escasso e pobre é um evidente sinal de inferioridade tal como o uso da palavra mano para com alguém que não é irmão, tudo isto revela o básico universo de palavras do rapaz alcoolizado.

Porque entre as garrafas de cerveja a povoar as mesas juntas e a frase «Eu estou aqui», a única Supertaça em disputa é a do vazio, do temor e da morte. 

José do Carmo Francisco

(Fotografia de autor desconhecido)